Depois dos relançamentos dos livros “O tesouro de D. José e outros contos”, “Janelas fechadas” e “Os tambores de São Luís”, é a vez de “Noite sobre Alcântara”, obra-prima do maranhense Josué Montello, ganhar nova edição. A publicação tem lançamento previsto para a segunda quinzena de janeiro do próximo ano e é resultado de uma parceria entre a Casa do Autor Maranhense e a Casa de Cultura Josué Montello. O projeto, que contará com palestras e outras ações, está sendo realizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Equatorial.
O magistral romance “Noite sobre Alcântara” é ambientado na
cidade colonial de Alcântara, no Maranhão, em um momento especialmente
dramático da sua história: as últimas décadas do século XIX, quando a economia
já decadente da região aponta para o completo colapso com a iminente libertação
dos escravos e, mais tarde, a Proclamação da República. Um cenário de incertezas,
angústias morais e ruína onde os conflitos humanos se exacerbam e ganham força
os protagonistas Natalino e Maria Olívia, ambos filhos de ricaços empobrecidos.
Namorados de juventude, a união definitiva de Natalino e
Maria Olívia é quase certa. Porém, enquanto esteve fora, lutando na guerra do
Paraguai, ele recebe um diagnóstico de esterilidade que o faz desistir por
completo, em sua volta à cidade natal, da ideia de casamento. Seguindo caminhos
mais amenos, Maria Olívia passa oito anos em um internato na França, de onde retorna
com um apurado gosto pela escrita e pela leitura. É logo tocada, porém, por um
infortúnio: ao cair de um cavalo passa a puxar de uma das pernas, tragédia
pessoal que a lança numa vida de recolhimento e solidão.
Um aspecto interessante do romance é que, assim como no caso
desses dois personagens, a Alcântara do romance aponta, numa melancólica
similaridade, a um futuro análogo. Na verdade, um não-futuro, de paulatina e
irremediável destruição e sem progênie. Noite sobre Alcântara é um livraço, que
merece ser lido pelo que mostra tanto de histórico e curioso na trajetória
dessa cidade cheia de mistérios, que é Alcântara. Como também de humano, no
melhor e nos piores dos sentidos.
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